quarta-feira, 4 de abril de 2012

RECORDAR UM PASSADO DISTANTE MAS SEMPRE PRESENTE

O REGRESSO DE MOÇAMBIQUE ACONTECEU HÁ 44 ANOS. 23 DE MARÇO DE 1970!
  Ter que recuar no tempo e concentrar-me em acontecimentos vividos há 42/44 anos  constitui efectivamente uma situação de grande sufoco emocional. Recordar escrevendo não é a mesma coisa que se essa recordação fosse vivida em grupo, ou seja, cada um de nós contasse as suas histórias, mesmo dramáticas que fossem, mas não se interioriza tanto como sucede neste momento comigo, que falo para o computador e este recebe tudo o que digo, sem retorquir ou contestar, é por assim dizer um diálogo surdo/mudo, doloroso, obviamente, porque não consigo abstrair-me das realidades vividas, algumas amargas e poucas de grande exaltação ou satisfação.
Á medida que vou carregando nas teclas o meu pensamento está a esvoaçar para outros acontecimentos e naturalmente assaltam-me à ideia “milhentas” coisas que naquele território todos nós vivemos. Vem-me ao pensamento nomes, acontecimentos, figuras e tudo isto se mistura com outras ideias, como sejam por exemplo, o que estarão os meus camaradas de armas que comigo estiveram naquele território neste momento a fazer? Como vivem? Serão felizes nas suas vidas privadas e familiares? Depois também me interrogo, mas porquê estes pensamentos se eu só conheci aqueles indivíduos na tropa? Não se trata de egoísmo, cinismo ou mistificação e encontro a resposta também de seguida, porque na minha cabeça fervilham ideias, interrogações e também muitas convicções, como sejam o facto de haver justificação em todos nós para que haja - e penso que este sentimento é apanágio de todos nós - fraternidade entre todos.  Conviver durante cerca de três anos, por vezes de forma dramática, trouxe a todos nós um espírito de convivência familiar que apertou de forma muito singular os laços de amizade, que hoje e a esta distância já longínqua ainda existe. Não é fácil esquecer aqueles que connosco conviveram e que já partiram, mesmo depois de terem regressado ao burgo; os outros os que ficaram por lá também continuam no pensamento de todos nós que tivemos a felicidade de regressar ao seio das nossas famílias. Mas a vida é assim mesmo e com estes traumas e dramas vamos todos que viver até ao fim das nossas vidas. O importante é que nunca, os que cá continuam, esqueçam aqueles que fizeram parte da nossa comunidade, daquela que foi a nossa família durante
largos meses. Houve sentimento, houve preocupação, houve fraternidade. Todos nós vivíamos momentos de grande tensão quando um pelotão regressava do mato e corríamos para a “parada” para saber notícias acerca do que tinha acontecido e ficávamos felizes quando nada de especial tinha sucedido, isto é, quando todos os nossos familiares (esta é a expressão ideal) continuavam a fazer parte daqueles 166 membros, o número daquela comunidade da CART 2326. Não é preciso ter uma sensibilidade muito apurada para perceber isto, basta que se perceba que estávamos numa guerra, que qualquer coisa de dramático em qualquer altura ou momento podia acontecer. Éramos todos jovens, tínhamos uma vida pela frente para ser vivida. Alguns percebiam que não tínhamos nada a ver com aquilo para que nos “empurraram”, outros, tinham um sentimento pátrio mais exacerbado por uma questão cultural, por uma questão de obscurantismo, mas era exactamente neste caldear de sentimentos ou de pensamentos que residia a nossa grande unidade em torno de uma questão central que era o regresso à Pátria com vida e com saúde. Esse era efectivamente o maior desejo, o grande desígnio de todos nós.

sábado, 31 de março de 2012

A GUERRA DAS COLONIAS PORTUGUESAS

Aqui está um documento que pode muito bem se aplicar ao momento em que vivemos. A TROIKA manda COELHO obedece.

Guardei religiosamente este documento de propaganda da ditadura fascista, na guerra das colónias, neste caso de Moçambique. Sabia que o tinha guardado e rebusquei de entre outras recordações que guardo daquele tempo que passei em Moçambique, integrado na CART 2326, no periodo de 1968/1970.
Pela sua actualidade se compararmos com a situação do País. Aqui dizem-nos que os traidores são os que trabalham e lutam pelos seus direitos, há por cá alguns ARMANDO BURAIMO.
Documento na integra:  Militantes da Frelimo que continuais a sofrer e lutar por uma causa perdida à espera que uma bala dos soldados Portugueses, um estilhaço de granada  de Morteiro ou bomba do avião vos mate, abandonai a luta antes que isso aconeça e vinde apresentar-vos ao governo que vos receberá bem e não vos castigará. Quem trouxer arma ou mina receberá prémio grande.
Quem vos fala, sou eu o vosso amigo Armando Buraimo ex-chefe Distrital dos "SERECO" que fui aprisionado pela tropa Portuguesa na base de Unango e depois a levou à base Provincial Gungunhana.
Estou em Vila Cabral, onde vim encontrar o Faria Manhiça, ex-chefe instrutor da base de Chala, Américo Assamo ex-secretário da base de Unango, Mamudo Ali chefe de policia, Sassido Taimo, Josse Alode e tantos outros, a quem o governo está a ajudar. Não acrediteis nos mentirosos da Frelimo, porque o Goiverno Português  esté cada vez mais forte.
Estar com a FRelimo é ser bandido é ser muleque de Eduardo Mondlane que vende a vossa vida para ganhar muito dinheiro.
Do vosso amigo chefe dos SERECO
Armando Buraimo
(assinatura) 

NO FINAL DO ANO DE 2009, PUBLICAVA ESTA OPINIÃO NO MEU BLOGUE

 
QUARTA-FEIRA, 30 DE DEZEMBRO DE 2009

OS ACONTECIMENTOS ESTÃO A DAR RAZÃO ÁS MINHAS OPINIÕES

A tão propalada crise, que todos os dias vem sendo anunciada como terminada, está a deixar aterrorizados os que se atreveram, sabe-se lá porquê, a proclamar a retoma - palavra escolhida para atenuar o desânimo da população. Tenho visto nos vários debates nas televisões, os nossos "famosos" analistas económicos, a tecer opiniões, grandes considerações, grandes previsões e sinceramente fico espantado com a ligeireza com que têm vindo a afirmar que a recuperação económica está aí. Basta que os números ou os índices económicos em que se baseiam, fornecidos pelo Banco de Portugal ou pelo INE, para mim não muito fiáveis, por razões de interesse político, apresentem uma décima de milésima favorável ao período anterior e eis que saltam logo para a praça pública, estes senhores, que são apresentados como os grandes expert nesta matéria, anunciando o fim da crise. Admitindo a veracidade dos números é bom que se entenda que muitas das vezes estas oscilações têm a ver com ciclos favoráveis e circunstanciais, ninguém pode fornecer informações com previsibilidade séria, por isso a crise que todos os dias tem o fim anunciado mantem-se e vai manter-se. Estes mesmos senhores, durante meses fartaram-se de elogiar o processo Irlandês, mas agora que aquele País está à beira da bancarrota nem uma palavra dizem. Afinal, pergunto eu: Como é que se pode acreditar nesta gente? Obviamente que eu não acredito e tenho razões para isso, a menos que me expliquem como é que se pode sair da crise se aquilo que produz riqueza é a actividade industrial e todos os dias assistimos a despedimentos de trabalhadores e ao encerramento de empresas de ponta?! Que algo está errado disso eu não tenho dúvidas. É preciso naturalmente uma nova política económica e social, isto é mais que óbvio e tanto assim é que a Bolsa de Lisboa, negócio especulativo, somou índices de crescimento que espantou os distraídos. Eu, posso dizer, que nada disto me surpreende, porquê? Por tudo aquilo que aqui expressei.

BOM ANO, SOBRETUDO COM SAÚDE, PORQUE QUANTO AO RESTO O MEU AVISO AQUI FICA AOS MEUS AMIGOS, NÃO ESPEREM MELHORAS PARA NÃO SE DECEPCIONAREM, OK? Valha a verdade, que estes senhores bem-falantes, bem vestidos, bem instalados na vida, nunca me enganaram. Não sou mais esperto que os outros, até porque há quem tenha a minha opinião.

 sem comentários ...

quarta-feira, 28 de março de 2012

FALTA SENSIBILIDADE E CONHECIMENTO

ACABAR COM A III DIVISÃO NACIONAL É UM CRIME AO FUTEBOL.
ACABAR COM A III DIVISÃO NACIONAL É UMA OFENSA AO FUTEBOL AMADOR

O futebol tem uma estrutura própria. É como um prédio, ou seja, não é possivel construir-se um prédio sem que se faça primeiro os caboucos para o suportar. É por isso importante que se tenha em atenção toda a nomenclatura do futebol nacional que se estende dos campeonatos regionais ao campeonato da I Liga.

 O fomento, a divulgação, os agentes que mais tarde dão corpo e alma ao futebol profissional, Jogadores, treinadores, dirigentes e arbitros, que hoje militam no futebol profissional, iniciaram-se muitos deles no futebol amador.

A radiografia do futebol português profissional está espelhada com alguns elementos que colhi e que me parecem importantes para uma análise cuidada sobre as consequências de uma malfadada decisão em tempos tomada para extinguir a III Divisão Nacional. De tantos exemplos que nós ouvimos tantas vezes apregoar, que de seguida copiamos, não conheço nenhum que se equipare a esta perfeita idiotice que é pôr termo a um campeonato que leva o futebol a todos os cantos do País. 

Vejamos :

ARBITROS - todos eles se iniciam no futebol amador

JOGADORES: 418 Inscritos - 184 Portugueses - 234 Estrangeiros. Dos 184 Portugueses 85 são originários do futebol amador, o que corresponde a sensivelmente 43%  do numero de Portugueses sendo portanto 57% originários do futebol profissional.

TREINADORES: 9 dos treinadores que treinam as equipas da I Liga iniciaram a sua carreira no futebol amador

NACIONALIDADES: 46 nacionalidades estão representadas no principal campeonato português.

CLUBES: 69  clubes cessaram a sua actividade na época passada.


ASPECTO ECONÓMICO

Custos Totais da Federação com a Organização da Actividade Desportiva em 2011: 24.752.544,25 €

A Organização do Campeonato Nacional da III Divisão teve um custo de:  1.505.688,76 €

Estes números revelam que os gastos da Federação com a III Divisão Nacional , em termos percentuais, ronda os 6%  dos custos totais da Organização da Actividade Desportiva em Provas Organizadas pela FPF.

Podemos contudo ir mais longe ao compararmos com outros números: Custos Administrativios  7.448.840,01 €,  Outros Custos  4.857.421,35 €.  Ora bem ,estes números indica-nos uma percentagem de custos com a III Divisão na ordem dos 4,1%

Nota: Estes são dados do Relatório de Contas da FPF .

Conclui-se, portanto, que acabar com a III Divisão não é mais nem menos que uma obsessão louca e desprovida de qualquer justificação.


sexta-feira, 23 de março de 2012

   <섌ţ> CLUBE FUTEBOL BENFICA
PATRIMÓNIO A PRESERVAR
 
 
FAZ HOJE 79 ANOS QUE OS HOMENS ABAIXO MENCIONADOS SE CONSTITUIRAM  EM COMISSÃO E  REORGANIZARA O GRUPO FOOT-BALL BEMFICA
 
Apesar das dificuldades que enfrentámos ao longo deste percurso, chegámos aos tempos de hoje com grande dinamismo e confiança no futuro
Podemos dizer que cumprimos o nosso papel  no campo social,  cultural e  desportivo.



Em 23 de Março de 1933, é reorganizado o GRUPO FOOT-BALL BEMFICA, através de um documento distribuído à população do Bairro, que aqui se reproduz.


MANIFESTO À POPULAÇÃO DE BENFICA SOBRE A REORGANIZAÇÃO DO GRUPO FOOT-BALL BEMFICA


Exmº. Senhor,

Sendo a freguesia de Benfica uma das que hoje conta com um elevado número de fogos e ainda devido ao seu grande desenvolvimento, quer industrial, quer comercial, não estar em relação a muitas outras de bem  menor importância e que hoje desenvolvem a sua actividade em todos os sentidos, vimos rogar a V.Ex.ª a sua atenção para este apelo.

Esta freguesia, que em tempos que não vão longe foi uma das mais progressistas dos arredores da capital, devido aos desportos que então se praticavam, encontra-se hoje num estado apático que não deve continuar por mais tempo. As causas que levaram a este estado são várias e por isso escusamos de as enumerar.

Encontrando-se presentemente, uma grande parte dos habitantes da freguesia a dar novamente a animação  de outros tempos, resolveu a Comissão abaixo designada dar começo aos trabalhos de organização e apelar para todos os seus moradores para que ajudem a levar a cabo a ingrata missão de que acaba de ser investida, inscrevendo-se como sócio do Grupo Foot-Ball Bemfica, Grupo que em tempos idos tão gratas recordações nos deixou e o qual, estamos certos, continuará a honrar as suas antigas tradições.

A quota mínima é de 2$00, sem mais encargos, esperando a Comissão que V.Ex.ª se digne assinar a proposta junta, o que desde já muito agradece.




                                                                                        A COMISSÂO
                                                                                 António Joaquim Felix
                                                                                 António Alberto Caratão Marques
                                                                                 José de Freitas Moura
                                                                                 João Melo
                                                                                 Domingos José  Ferreira
                                                                                 Mário Leão
                                                                                 António Antunes Perna


Março, 1933

quinta-feira, 8 de março de 2012

FUTEBOL FEMININO - JOGO AMIGAVEL

A nossa equipa feminina de futebol defrontou ontem à noite, no nosso campo, a equipa americana CATHOLIC UNIVERSITY, em jogo amigável, tendo vencido o jogo por 1-0.


Realizámos uma boa partida, bom teste pois para a fase que se inicia no próximo domingo, no nosso campo, onde pelas 15,00 horas defrontamos a equipa de MARTIM (Barcelos)



terça-feira, 6 de março de 2012

UMA VITORIA DE GRANDE ALCANCE

A EQUIPA A AGRADECER AOS ASSOCIADOS O APOIO

 
FUTEBOL BENFICA  1  CASA PIA  0

As vitórias sabem sempre bem. Esta teve um sabor especial, pois classificou-nos desde já para o grupo da fase de subida,
Boa exibição, muito bom empenho, significado do caracter deste grupo que tudo tem feito para difnificar  a camisola que envergam.
Estes jogadores têm lutado contra todas as adversidades, por isso mais uma vez merecem o meu destaque e de toda a massa associativa como ficou demonstrado no final do jogo.
Num campo com uma boa moldura humana estes jogadores deixaram uma imagem de gente grauda e de orgulho pelo clube que representam. Belo jogo, bela vitória, belo campeonato.
 Sem pôr a faisca muito alta, acredito que temos uma palavra a dizer nesta fase que se segue.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

2012, ANO DE GRANDES PREOCUPAÇÕES

2012, NÃO NOS VAI TRAZER NADA DE NOVO E MUITO MENOS DE BOM
Os factos estão à vista. Falta-nos cultura, fundamentalmente isso.

Tolheram-nos no passado e o mesmo sucede no presente. Quem vinga e quem vence, são os imbecis, os que não têm nojo de se aporcalharem. Vendem-se por um qualquer favor.

Este povo perdeu a capacidade de se regenerar, de se reconstruir, de educar os que aí vêm. Perderam-se valores, não agora, agora ... refinaram-se os métodos, cuja tradução surge como parecendo que são correctos, fazendo prevalecer a teoria do salve-se quem puder, pretendende-se demonstrar que há uns mais inteligentes que outros. Confundem-se as coisas, isto é, um vigaro passou a ter a categoria de inteligente, aquele que é sério e honesto é um burro.

Vivemos numa sociedade que está engendrada, os mecanismos estão bem oleados, os PODERES distribuidos com cuidado, desde a sociedade civil à política. Já nada é interrogado, aceita-se tudo com a maior das desfaçatez e procura-se fazer parte do sistema, poucos procuram estar à parte destas incidências por serem escaborosas, valha-nos isso, embora os ventos soprem de modo contrário.

Quanto maiores forem as dificuldades de ordem económica e social mais propicio a vassalagem se torna.

No dealbar deste novo ano, é isto que eu observo. Do futebol à política o sistema mistura-se e fica-se sem saber onde acaba um e começa o outro.

NADA DE NOVO, PORTANTO, NEM A MONTANTE NEM A JUSANTE, INFELIZMENTE

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

PARTIU UM AMIGO - VITOR PERALTA

VITOR PERALTA, um amigo de longa data, deixou-nos hoje.


Conheci VITOR PERALTA há cerca de 40 anos, quando ele era dirigente do Operário. Tinha nessa altura o Operário uma bela equipa de futebol. Ganhou o campeonato de Lisboa de forma categórica. O PERALTA, foi o verdadeiro obreiro dessa campanha vitoriosa.
Ao longo dos anos, desde o Operario, clube a que sempre pertenceu, passando pela AFL e FPF, mantivemos sempre uma relação intima e leal.
Afável, amigo do seu amigo sem subterfugios, PERALTA impunha-se pela sua cordialidade e saber estar. Creio que este homem só semeou amizade por onde passou. Nas muitas vezes e em diversas circunstâncias em que estive com ele e viajei pude observar isso.
Que descanses em PAZ, querido amigo.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

QUADROS COMPETITIVOS - NOVAMENTE NA ORDEM DO DIA

CLUBE FUTEBOL BENFICA

EM DEFESA DA II E III DIVISÕES

A NOSSA POSIÇÃO SOBRE
A
PROPOSTA DE ALTERAÇÃO DOS QUADROS COMPETITIVOS

Desde 1999 que se vinha debatendo a questão dos Quadros Competitivos, tendo em vista nada mais nada menos que emagrecer o futebol, como muitas vezes se ouviu dizer. O jornal Record em Janeiro/Fevereiro de 2000 convidou duas dezenas de personalidades, para se pronunciarem através de artigos de opinião, sobre a redução dos Quadros Competitivos. Pessoas ligadas directamente ao futebol (treinadores, jogadores, dirigentes) opinaram que o problema do futebol português não passava pela Redução dos Quadros Competitivos; os outros, embora adeptos do futebol, desconhecendo por completo os meandros e as incidências que este tem em si mesmo, opinaram de forma contrária, isto é, a favor da redução. Infelizmente, a célebre Assembleia Geral da FPF, realizada no dia 30 de Junho de 2007, criou os actuais Quadros Competitivos. Reduzindo os Quadros, criaram-se os playoffs para que os campeonatos não terminassem em Março. Esta medida não veio  beneficiar nem dignificar o futebol e não trouxe mais receitas para os clubes conforme fora anunciado, como também não trouxe mais espectadores, não alcançando os objectivos propostos.

Esta retrospectiva, demonstra um processo em desenvolvimento que parece destinar-se  reduzir a influência do futebol amador no contexto nacional, confirmado agora com o projecto apresentado pela Federação Portuguesa de Futebol.

E mais importante,
a proposta que nos é apresentada pela Federação foi votada em reunião de clubes promovida pela anterior Direcção, nas instalações da Associação de Futebol de Lisboa, a qual mereceu o voto contra dos clubes presentes.

É notória,  a desvinculação da FPF do futebol nacional, pois passa, efectivamente, a ter à sua responsabilidade, em termos de futebol de 11, SÉNIOR, o campeonato nacional da II divisão, para além da Taça de Portugal. Isto é, neste âmbito, a Federação Portuguesa de Futebol, tem presentemente a responsabilidade na organização do campeonato nacional da II e III divisão que envolve consequentemente 120 clubes. A FPF deixa, portanto, de acordo com a presente proposta, de ter sob a sua égide a organização do campeonato nacional da III divisão, ficando apenas com 80 clubes.

 Constitui uma evidente redução do peso do futebol de segunda linha, ou o dito futebol amador, do plano futebolístico nacional. Contra isto, como é óbvio, o Clube Futebol Benfica vota contra.

O voto contra, não é uma mera e injustificada opinião. Não! É acima de tudo defender o futebol português, porque é nosso entendimento que há factores de organização e de envolvência a nível nacional que merecem uma ampla reflexão e o maior número de contributos.

Pela nossa parte, destacamos, de entre outros factores de organização do futebol português, os seguintes:

- Fomento do Futebol,  Jogadores, Treinadores e Arbitragem

Assim, não se pode falar em FOMENTO DO FUTEBOL, quando se quer acabar com uma divisão que constitui a base da pirâmide do futebol nacional. A importância da III Divisão Nacional manifesta-se em dois vectores. O primeiro que tem a ver com uma fase de transição entre o mais puro amadorismo e uma competição mais exigente, criando assim dinâmicas a clubes mais ambiciosos que porventura tenham como objectivo alcandorarem-se a patamares superiores. O segundo é, sem qualquer dúvida, a MOTIVAÇÃO gerada pelo interesse que provoca nas populações ou nas massas associativas ver o seu clube disputar uma prova nacional. A abrangência em termos territoriais da III Divisão Nacional é por demais evidente que constitui um factor de interesse nacional, pois só esta Divisão leva o futebol a todos os cantos do País, em termos nacionais. O fomento, seja do que for, passa pela ampla participação e não pela redução dos intervenientes nas actividades. O modelo agora proposto, não tem nada de novo, é uma fotocópia do passado, do que existiu na década de 40. Quem idealizou esta proposta não deve ter  pensado muito, copiou o que se fazia há 70 anos atrás.


Estes campeonatos da II e III Divisões nunca mereceram a atenção devida pelas estruturas representativas da modalidade e criaram-se os famigerados playoffs;  e hoje estamos perante uma nova alteração que não vem resolver nada,  mas pode representar  mais uma demonstração do desprezo que as estruturas têm por estes campeonatos; sendo assim, está agora em cima da mesa mais uma machadada nestes campeonatos e portanto está em causa o fomento do futebol. Já hoje e com  esta proposta de alteração verifica-se que o actual modelo não serve, pois é mais que evidente que o que está a ser proposto ainda menos serve e revela, repitimos, que nada está a ser feito em prol do fomento do futebol.
       

Dos JOGADORES,  é que evidente que vai decrescer a expectativa de qualquer jovem quanto ao seu futuro como futebolista. Há muitos que pensarão que para jogar no Regional toda a vida, será a mesma coisa que  jogar no INATEL  ou jogar ocasionalmente pode dar o mesmo prazer que estar a jogar eternamente no Regional. Não se trata aqui de valores económicos, porém, havendo um outro grau mais qualificado toda a gente sabe que se trata de uma maior motivação para o praticante, só desconhece isto quem está fora do futebol .


Dos TREINADORES, diremos a mesma coisa, pois estes sectores de actividade estão interligados e neste aspecto serão afectados com esta alteração. Sabe-se também que muitos treinadores que estão hoje no futebol profissional fizeram  carreira no futebol amador, "beberam" neste os primeiros conhecimentos,  projectaram-se e hoje navegam por essas águas bem mais importantes, até a nivel internacional, constituindo bons exemplos no estrangeiro do nosso valor.    



           É nossa convicção que a ARBITRAGEM perde com esta alteração na medida em que havendo menos jogos., por força da extinção da III divisão, há, obviamente, menos possibilidades de acesso a quadros nacionais destes agentes do futebol, constituindo por isso um factor determinante paro o abandono, ou seja, a carreira passa a ser muito limitada e naturalmente pouco motivadora para a progressão na mesma.
Tamé  Também se  poderá analisar esta questão, relativamente aos clubes. O facto da promoção, para os que forem promovidos, entrarem numa divisão nacional já com outro peso e estrutura, trás naturalmente outro tipo de problemas. Passar do Regional para uma divisão muito superior, cuja a mesma dá de seguida acesso a uma divisão profissional não está em consonância com o desenvolvimento que se pretende para o futebol nacional. 




Posto isto, não temos duvidas, em afirmar que o melhor sistema ou o melhor Quadro Competitivo, atendendo à nossa realidade económica/social e desportiva, experimentado desde a década de 60 até hoje, foi sem dúvida, o que vigorou até aquela Assembleia Geral da FPF a qual criou este modelo agora em vigor. Os playoffs não trouxeram verdade desportiva nem maior competividade, antes pelo contrário, na maior dos casos trouxeram-nos foi injustiças. O futebol é uma competição de regularidade e  a regularidade só pode ser definida não em meia duzia de jogos, mas em competição alargada; por estas razões,   por tudo o que para trás está escrito e porque já no passado defendemos o modelo anterior, a nossa proposta é que se regresse ao passado, com uma única excepção  no que respeita hà II Divisão, como parece estar enquadrada  na proposta da FPF e sejam promovidos os vencedores de série. Voltarmos a ter o Campeonato Nacional da III Divisão, as 6 séries do Continente, com 16 clubes eliminando os playoffs, é a medida mais sensata e que melhor defende o futebol e todos os agentes nele envolvidos e, não esquecendo também, o fomento do mesmo, pois o contrário disto  é andar para trás em termos de desenvolvimento desportivo.
Ao longo dos anos, com sacrificios, com ajudas, enfim ... os clubes desenvolveram-se , criaram-se melhores condições e portanto seria quase um crime fazer tudo isto recuar.

Para terminar deixava aqui um trecho retirado de um artigo escrito por Homero Serpa, no jornal a Bola, quando em 1999/2000 se discutia a "redução dos campeonatos": " Ao contrário de procurarmos um jet-set para o futebol, que teria, na verdade, a dimensão ridicula de qualquer jet-set nacional, deveriamos imaginar soluções para a expansão do grande jogo por todo o território, isso, sim, seria do interesse desportivo dos portugueses"